Cresci num lar onde sempre se falou e pregou-se Deus como único em nossas vidas. Meu padrasto me entendia bem e nunca tive problemas com ele. Mas só tive uma experiência com Jesus aos 15 anos. Conheci meu marido aos 18 anos, e um tempo depois começamos a namorar.
Após 7 anos de namoro/noivado, nos casamos. O período pré-casamento foi muito turbulento (creio que Deus queria muito a nossa união, porque só nos casamos pela misericórdia de Deus, a gente não se entendia em nada).
Mas enfim nos casamos, o primeiro ano de casados foi muito difícil, mas muito mesmo, creio que apesar de sete anos de namoro não nos conhecemos de verdade, pois isto só foi acontecer após o casamento, e eu, sinceramente não gostei de algumas coisas que meu marido revelou neste período, e sei que a recíproca é verdadeira.
Sempre fui uma pessoa independente, aos 14 anos já trabalhava para ajudar minha mãe. Em função dessa independência financeira precoce, fui obrigada a amadurecer antes das pessoas da minha idade, comecei a dirigir e a me sustentar sozinha bem cedo. Minha mãe me ensinou assim, ela era assim. Depois de casada essa independência continuou, eu ainda trabalhava e me sustentava sozinha, só que agora eu tinha que dar satisfação a alguém, sobre minhas finanças, e sobre o que fiz ou deixei de fazer. Como não estava acostumada a isso, comecei a não gostar tanto deste “tal de casamento”.
Nesta época eu trabalhava em uma empresa muito boa, já tinha trabalhado lá há anos atrás, e como deu certo, fui convidada a retornar e assumir toda a parte administrativa da filial daqui, foi a realização de um sonho, um trabalho que eu amava, com pessoas que eu gostava muito e uma ótima remuneração. Aceitei o convite, mesmo sem o consentimento do meu marido (naquela época eu achava que ele não podia se meter na minha vida - que pensamento diabólico).
Entreguei-me de cabeça a esta nova oportunidade, trabalhava direto, até mais tarde, nos finais de semana e viajava muito a trabalho. Não via mal nenhum nisso, afinal de contas, não tinha nenhuma criança na minha casa, meu marido podia se virar sozinho. Quando completamos um ano de casados (aos trancos e barrancos), descobri que estava grávida, sem que nós percebêssemos, Deus já estava agindo em nossas vidas.
O período de gravidez foi até tranqüilo. Fiquei 5 meses em casa de licença, para cuidar da minha filha. Quando retornei ao trabalho, as coisas não estavam mais como antes, e havia uma nuvem negra me seguindo dentro do escritório. Digo isso porque comecei a sofrer perseguições por parte de um dos meus chefes. Seis (6) meses após meu retorno fui demitida com uma desculpa tão esfarrapada, que foi como se tivessem jogado uma bomba na minha cabeça, nunca imaginava estar numa situação dessas, logo eu a “funcionária perfeita” o “exemplo”. Isso me abalou profundamente, entrei em depressão pós demissão (risos).
Não conseguia aceitar aquilo, comecei a querer investigar o real motivo e o que levou meu chefe a me demitir, mas nada fazia sentido pra mim. Demorei bastante para entender que aquilo não era obra de homens, mas sim de Deus, que queria me ensinar a ser uma ajudadora idônea, a ser mãe e a ser uma serva Dele.
Que momentos difíceis, ter que pedir dinheiro ao meu marido para comprar coisas pessoais para mim, ter que vender meu carro e pegar o dele emprestado para sair, para mim aquilo era o fim do mundo, mas Deus me queria dependente Dele, e que eu passasse a respeitar meu marido como o sacerdote da minha casa. Ser de Deus eu aceitava, pois tenho Ele como um ser superior a mim, mas ao meu marido, eu ficava questionando Deus, o que meu marido tinha de melhor do que eu.
Em novembro de 2009 fomos abençoados com um presente, dado por um casal muito especial para nós, eles nos convidaram para ir ao Encontro de Casais do Projeto Amar, meu marido hesitou no começo, mas acabou aceitando. Que dificuldades e provas passamos nos dias que antecediam o encontro, mas pela graça de Deus, nós fomos e foi uma benção, foi maravilhoso, salvou nossa relação, feridas foram fechadas, Deus trabalhou muito na minha vida naqueles dias, mágoas dos meus sogros foram libertas, para a glória do Senhor, e minha relação com eles melhorou muito e consequentemente meu relacionamento conjugal.
Eu não sabia, mas Deus estava me preparando para o que ainda estava por vir. A partir daí começamos a freqüentar a IBNC com mais freqüência, nos sentíamos muito bem lá, mas parecia que algo estava faltando para completar nossa alegria conjugal. Comecei a ler um livro chamado “O Poder da Esposa que Ora”, desde então passei a orar mais por meu marido e por sua salvação, entreguei ele nas mãos de Deus, dizia a Deus, que queria um marido mais comprometido com a Sua obra.
Deus estava agindo em mim, pessoas próximas notavam as mudanças, mas em meu marido, parecia que nada acontecia. Até que num culto de domingo, Deus tocou no coração dele, e nos chamou a participar do “Encontro com Deus” (quem nunca fez, faça, porque é tremendo).
Passamos novamente por armadilhas do inimigo para nos impedir de ir, mas estávamos debaixo da proteção Divina. Em outubro de 2010 fizemos o Encontro com Deus. Que dias abençoados, fomos libertos, curados, restaurados, para a glória do Senhor. Não tenho palavras para explicar o que aconteceu em mim naqueles dias, só consigo dizer que é maravilhoso ter um relacionamento íntimo com Deus e sentir a presença do Espírito Santo em minha vida.
Voltei para casa renovada, restaurada, purificada, e muito, mas muito mais feliz. O encontro é feito separado, homens e mulheres não ficam juntos. Então eu não via o que estava acontecendo com meu marido, mas tinha plena certeza que Deus estava restaurando a vida dele também.
E para que haja restauração é necessário reparar as brechas, e foi ai que recebi uma notícia devastadora, meu marido havia me traído no início do nosso casamento.
Que momentos difíceis, comecei a questionar Deus, porque aquilo tinha acontecido, como que eu não via, onde eu estava? Foi então que Deus me mostrou, que eu estava muito ocupada com a minha vida para ver o que meu marido estava fazendo, eu estava ocupada com meu “super trabalho”. Só quem já passou por uma situação dessas para entender a minha dor, entender o efeito que isso causa na gente, sentia dor no meu coração, mas dor mesmo, sentia um aperto no peito uma falta de ar, uma vontade de desistir. Foram momentos tão difíceis, que achava que não ia agüentar. Pensei até em procurar um médico. Foi então que procurei o médico dos médicos, e Deus começou a tratar a minha ferida, e o tratamento foi tão doloroso quanto o próprio machucado.
Neste tempo entendi que numa situação assim nunca a culpa é de um só. Os dois sempre tem uma parcela de culpa no ocorrido.
Passamos um período de reajustes, mas agora somos verdadeiramente unidos como casal e unidos em Deus, estamos muito mais felizes e Deus nos abençoa a cada dia com sua ilustre presença em nosso lar. Recomendo o perdão para todos que estão doentes, pois ele é restaurador, terapêutico e é uma linda prova de amor.
“Deus ama o casamento, convide ele para o seu.”
Este testemunho é para a honra e glória do meu Senhor.
Cristian, Adriana e Ana Vitória

